
No último sábado (19), um grupo de 48 alunos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) visitou a aldeia indígena da Mata da Cafurna, da Tribo Xucuru Kariri, em Palmeira dos Índios. A visita foi com acadêmicos de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, e é referente à disciplina Ética, Alteridade e Diversidade no Cuidado em Saúde, ministrada pela Professora Sandra Bomfim.
"A Uncisal promoveu uma imersão pedagógica importante na formação em saúde, dialogando no território da população indígena alagoana, inclusive sobre suas demandas sociais e de saúde, o que nos atenta para a realidade concreta e mecanismos de apoio", afirmou Emilene Donato, professora de políticas afirmativas de Medicina, junto com a professora Sandra Bomfim.
Segundo a coordenadora, a visita foi o resultado de uma articulação interinstitucional com o Assessor Técnico de Políticas Transversais da Secretaria de Estado e Saúde de Alagoas
(SESAU), Robert Lincoln, com a Gerente de Articulação Social do Gabinete Civil do Governo do Estado, Edenilsa Lima, e com o diretor presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas, Jaime Silva.
Segundo as professoras das políticas afirmativas, cada aluno incorpora a experiência a partir de sua individualidade, cada um vai se sentir ou não motivado a continuar a experiência de aproximação com os segmentos com os quais mais se identificarem. "A nossa intenção é iniciar uma nova etapa na formação dos alunos, promovendo mais vivências e possibilitando a eles a visualização da necessidade de ações integradas, a partir da concepção ampliada de saúde", enfatizou a professora Sandra Bomfim.
O articulador com a aldeia da Mata da Cafurna, Maynami José Santana da Silva, destacou que "receber os alunos da Uncisal foi um momento importante para nossa aldeia e esperamos articular ações de extensão pensadas coletivamente". Maynami também é Apoiador Técnico de saúde indígena do Distrito Especial de saúde indígena de Alagoas e Sergipe, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), ligada ao Mistério da Saúde.
As articulações continuam no sentido de construção de um programa de extensão para "transversalizar" as políticas afirmativas em projetos já existentes ou novos, com a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal). As conversas foram iniciadas com o professor Jairo Campos, da Uneal, e com a professora enfermeira Danielle dos Anjos, da Ufal e da Uncisal, responsável pela visita junto com a professora Emilene Donato.
As técnicas Gabriele Belém Argolo Melo e Allana Accioly Miranda, da Articulação Social do Gabinete Civil, participaram da visita e acharam muito importante para o fortalecimento das articulações interinstitucionais. "Maravilhoso ver essa interação dos alunos com a comunidade indígena, observou Gabriele Melo. "A formação dos alunos com essas vivências será bem diferenciada, e eles podem ver também a importância de trabalhos integrados entre várias instituições estaduais", ponderou Allana Miranda.
Danielle dos Anjos, uma das professora do módulo de Ética e Alteridade, afirmou que investir na formação diferenciada, através da experiência vivida e refletida, abre inúmeras possibilidades para os alunos de aproximação com os públicos das políticas afirmativas.
Para a professora Sandra Bomfim, a efetivação dessas políticas passa por uma formação crítica que compromete os futuros profissionais de saúde com as demandas sociais e de saúde dos povos tradicionais alagoanos, compreendendo quilombolas, indígenas e povos de terreiro. "Sem esquecer que a comunidade LGBT compõem a sobreposição de vulnerabilidades nesses segmentos", reforçou.
"A cada semestre, percebemos um avanço na forma da matéria ser ministrada, e isso é bom pra os alunos e para a Uncisal", afirmou o monitor Daniel Vasconcelos . E para a monitora Jenyffer Emile Oliveira, "a vivência com os índios foi incrível e muito formativa, pois os alunos interagiram de forma espontânea, e no final muitos dançaram toré [uma dança típica]".
Nessa quarta-feira, dia 23, uma equipe de profissionais de saúde indígena que atua no território de Alagoas e Sergipe participarão de uma roda de conversa com os alunos da turma de ética e Alteridade. E na próxima sexta, 25, alunos de medicina realizarão uma visita ao terreiro de candomblé do Babalorixá, Antonio Baiano, em Marechal Deodoro. Já no próximo sábado, dia 26, a visita será à tribo Xucuru Kariri e à comunidade quilombola da Tabacaria.



