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Colaboração/Texto: Sandra Bonfim
A promoção da alteridade, a educação étnico-racial e a imersão pedagógica junto aos povos tradicionais, como quilombolas, indígenas e povos de terreiros compõem o currículo do primeiro ano do curso de medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal).
O respeito às diversas expressões religiosas é importante na formação dos profissionais médicos para uma atuação livre de preconceitos.
A responsabilidade dos futuros profissionais de saúde na implementação Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foram alguns dos assuntos abordados na roda de conversa realizada como atividade prática do módulo Médico e seu Trabalho e as Políticas Afirmativas (MST1), que aborda as políticas afirmativas dos Sistema Único de Saúde (Sus).
Segundo os professores módulo, Sandra Bonfim e Aldemar Araújo, os alunos são preparados para a implementação de políticas afirmativas em seu processo de trabalho.
"Depois da roda de conversa com o Babalorixá Antonio Baiano, no Templo de Xangô, na manhã do dia 24 de maio, em Marechal Deodoro, 25 alunos foram unânimes em avaliar como muito positiva e necessária a atividade desenvolvida no terreiro", afirmam.
Devido ao grande interesse dos alunos e muitas perguntas, a atividade terminou se estendendo até o final da manhã, "na minha formação como médico não tive essa oportunidade que a Uncisal está proporcionando aos alunos, mas sei da importância e de como vivências como estas possibilitam relações mais respeitosas entre médico e paciente", pontua o professor Aldemar.
De acordo com o sacerdote da religião de matriz afro-brasileira, no Candomblé existem duas formas de promover saúde: a fundamentada pela religião para abordar a dimensão espiritual e a feita pelos médicos e outros profissionais de saúde para abordar o lado material e físico, que adoecem quando o espírito está doente e as duas formas precisam trabalhar juntas muitas vezes, por isso, os adeptos são orientados a procurar os profissionais de saúde primeiro e promoverem os dois tipos de tratamento.
A coordenadora do módulo, Sandra Bomfim, pondera alguns relatos escritos da experiência dos alunos realizados sempre após as visitas aos terreiros afirmam a importância das mesmas e só reforçam a perspectiva teórica de que a formação pautada na experiência para desconstruir preconceitos e esteriótipos produz relações de alteridades impossíveis na construção apenas teórica.
No final da atividade, o Babalorixá Antonio Baiano enfatizou sua alegria em receber alunos da Uncisal para conversar e a importância daquele momento de trocas.
O professor Aldemar Araújo enfatizou a tecnologia leve do acolhimento pelo terreiro como um aspecto importante a ser observado pelos alunos, sempre a considerar que um dos pontos importantes a serem melhorados com visitas como aquelas era o acolhimento do médico em seu local de trabalho, um ponto critico atualmente.
