
Danielle Cândido
Na sala de atendimento do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Social (NAPS) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), as questões mais recorrentes que os estudantes apresentam aos psicólogos/psicopedagogos da instituição são também as demandas mais comuns no mundo na atualidade: o estresse e a ansiedade. Para atuar como suporte para os enfrentamentos próprios da experiência acadêmica de forma direta ou indireta, o NAPS realiza uma média de 112 atendimentos por mês. O psicólogo Bryan Silva Andrade, coordenador do NAPS da Uncisal, ressalta que são diversos os desafios adaptativos aos quais os universitários estão sujeitos: novo ambiente de convívio, novas rotinas, maior exposição à diversidade social e cultural, competitividade, tomar decisões significativas, dentre outras, e destaca ainda que a atenção psicológica e social é fundamental para evitar a evasão escolar. Confira a entrevista.
O Dia do Psicólogo é celebrado no próximo dia 27 de agosto. Com a vasta possibilidade de atuação na área, como você define o psicólogo educacional?
Ao considerarmos a aprendizagem como um processo complexo que envolve a cognição, a emoção, o afeto-volição em um contexto sociocultural, identificamos o psicólogo educacional como um profissional que se atém aos processos próprios de ensino e aprendizagem, desenvolvendo conhecimentos acerca das singularidades dos indivíduos e grupos aprendentes, bem como ações que auxiliem sua efetividade.
Na equipe do NAPS da Uncisal, há profissionais com formação em Psicologia e Psicopedagogia. Qual o diálogo possível entre as áreas?
As dimensões psicológica e educacional em nossa atividade estão sempre em comunicação, sobretudo quando lidamos com o contexto experiencial na academia. Dessa forma, nossas intervenções estarão em busca de promover aprendizagem, sejam através de ações terapêuticas ou psicoeducativas. Em uma compreensão genérica, a Psicologia dará atenção à vida subjetiva e a Psicopedagogia manterá seu foco em aspectos específicos aos processos de aprendizagem. Assim, independente do foco da queixa estar associado a algo diretamente vivido no contexto acadêmico ou não, ele refletirá na experiência acadêmica.

Bryan Silva Andrade, coordenador do NAPS
As questões mais recorrentes que os estudantes apresentam ao NAPS são também as demandas mais comuns no mundo na atualidade: o estresse e a ansiedade. Como os discentes podem proceder diante dessas situações?
As primeiras barreiras para evitar que o estresse e a ansiedade sejam perniciosos seria o cuidado em construir suporte psicossocial e em buscar autoconhecimento. Alguns elementos que destaco para reflexão são: o autoconhecimento (entender como sente e o que faz com o que sente, ajuda a observar seus ciclos psicológicos e encontrar novas formas de ser um outro de si); rotinas e abertura ao novo (a disposição para incorporar novas experiências ao cotidiano, em equilíbrio, às necessárias rotinas que disciplinam nossa vida pode ajudar a lidar com aquilo que não temos governabilidade); construir e cultivar vínculos sociais autênticos (é fato que qualidade e diversidade em nossos vínculos sociais nos proporcionam mais oportunidades de desenvolvimento humano, bem como de proteção social as inevitáveis vulnerabilidades que estamos sujeitos a viver); escutar e expressar (ser capaz de ouvir alguém te faz um acolhedor; ser capaz de falar de si sem orgulho te faz uma pessoa); e criatividade (o que nos faz sofrer é pensar e fazer sempre da mesma forma. Uma maneira de desenvolvermos a criatividade para sairmos desse labirinto psíquico é vivenciarmos novas formas de subjetivação, como a arte, em todas as suas expressões).
O professor e o coordenador de curso podem exercer um papel junto ao trabalho desenvolvido pelo NAPS?
Professores e coordenadores de curso são parceiros diretos do NAPS. Eles estão cotidianamente com os discentes e acompanham seu desenvolvimento, por isso são importantes parceiros na realização de atividades conjuntas e na sensibilização dos discentes acerca de aspectos emocionais e cognitivos em relação ao cuidado e ao desenvolvimento de potenciais.

Kátia Regina dos Santos Silva, psicóloga e psicopedagoga da Uncisal, em atendimento no NAPS
Ainda existe certo preconceito entre os estudantes ao falar do atendimento realizado pelo NAPS. A que se deve esse comportamento?
Por muitas vezes, há uma equivocada ideia de que o trabalho do profissional de Psicologia é regular uma pessoa de modo que ela volte ao “normal”, ou seja, parte-se do princípio de que o sofrimento psíquico é uma anomalia. Essa ideia alimenta uma crença onde sofrer por si só significa “ser anormal”, portanto, desqualificado. É justamente essa falta de compreensão de que esse sofrimento é tão próprio da experiência humana quanto sentir prazer, que aumenta a possibilidade do seu agravamento para níveis mais complexos. Também posso destacar que é comum a ideia de que o profissional de Psicologia trabalha somente com o sofrimento psíquico, em específico como psicoterapeuta. De certo, o sofrimento é tema fundamental quando lidamos com saúde mental na psicoterapia, mas em nosso trabalho precisamos explorar na pessoa, grupo, comunidade ou instituição os seus potenciais, pois são eles que possibilitam equilibrar a balança da existência.
Como mudar essa ideia do sofrimento psíquico como anomalia e ampliar a compreensão do que trata a Psicologia?
Entendemos que em cada discente participante de alguma atividade do NAPS, sejam comunicações públicas acerca de temas relevantes, psicoeducação ou atendimentos individuais, nós plantamos uma semente que potencialmente será multiplicada para superarmos esses preconceitos. De certo, as parcerias com os departamentos acadêmicos, professores, coordenadores e demais técnicos têm sido fundamentais para essa superação.
O atendimento individual realizado pelo NAPS é a atividade mais procurada pelos estudantes. De que outras ações os discentes podem participar?
Certamente a atenção em nível individual é a atividade mais procurada pelos discentes, mas existem outras ações que fazem parte de nossos objetivos. São elas: Comunicações no âmbito da Psicologia acerca de temas atuais e sensíveis a comunidade acadêmica; Atenção a estudantes que apresentam dificuldades com adaptação a rotinas acadêmicas, dificuldades de aprendizagem e temas correlatos; Atenção aos estudantes em período de estágio; Atenção aos estudantes em processo de construção de TCC; Visitação a turmas de calouros para apresentação do NAPS e do Grupo terapêutico de musicoterapia.
CONHEÇA O NAPS
O Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Social da Uncisal proporciona apoio direto aos alunos e aos processos educativos que são desenvolvidos na Universidade, realizado numa perspectiva clara de assessoramento, entendendo sempre que o trabalho psicopedagógico tem lugar num espaço partilhado com docentes e equipes, a quem cabe apoiar.
O NAPS está localizado no 3º andar do prédio-sede da Uncisal e funciona de segunda a quinta-feira, das 8h às 18h; e na sexta-feira, das 8h às 14h.
Os profissionais que realizam o atendimento individual são Roseane Lima da Silva Rapôso (Psicóloga / Psicopedagoga), Kátia Regina dos Santos Silva (Psicóloga / Psicopedagoga) e
Bryan Silva Andrade (Psicólogo).
Os agendamentos dos estudantes da Uncisal podem ser realizados por meio do endereço eletrônico https://naps-uncisal.reservio.com/
Para mais informações: 3315-6726
