
Profissionais do Hospital Helvio Auto relatam que casos de mães que transmitiram o vírus HIV para o bebê durante a amamentação aumentaram. O detalhe que chama a atenção é que elas não sabiam do próprio diagnóstico
Ana Paula Tenório – Ascom HEHA
O Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), referência estadual em doenças infectocontagiosas, detectou um aumento nos casos de crianças expostas ao HIV em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados servem de alerta para gestantes, puérperas e profissionais da saúde, para que os cuidados durante a amamentação sejam redobrados para evitar a infecção em recém-nascidos, a conhecida transmissão vertical, quando o bebê adquire a doença da mãe, durante a gestação, parto ou amamentação.
A instituição, que atua como referência no acompanhamento de pacientes com HIV, registrou um aumento significativo nos casos de crianças expostas ao vírus em comparação aos dados do ano passado. Durante todo o ano de 2024, foram 11 casos de crianças expostas ao HIV; já em 2025, de janeiro a maio, já foram nove casos e muitos deles infectados pelo próprio leite materno. O dado preocupa a equipe, especialmente pelo fato de que muitas dessas exposições poderiam ser evitadas com orientações claras durante o pré-natal e com mais atenção às condições de vida e saúde das puérperas.
“O leite materno pode transmitir o HIV. Por isso, é fundamental que mulheres diagnosticadas com o vírus não amamentem, mesmo que estejam fazendo tratamento e com a carga viral indetectável, embora a gente saiba que nesses casos o risco seja baixo, a recomendação oficial é evitar a amamentação para garantir a segurança do bebê”, alerta Lygia Antas, coordenadora do Serviço de Assistência Especializada (SAE) do Hospital Helvio Auto.

Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, mães com HIV não devem amamentar, sendo recomendado o uso de fórmulas lácteas infantis fornecidas gratuitamente pelo SUS. O Serviço de Assistência Especializada (SAE), do Hospital Helvio Auto, mantém cadastro e dispensação de fórmulas para crianças até um ano de idade. Essa é uma das principais estratégias para prevenir a transmissão vertical.
Além disso, os especialistas reforçam a necessidade de ampliar as orientações para além do período pré-natal, e que as testagens e cuidados sejam mantidos também durante o puerpério. “O pós-parto é marcado por mudanças hormonais, emocionais e sociais. Muitas mulheres, principalmente em situação de vulnerabilidade social, não têm acesso contínuo à informação qualificada sobre saúde sexual e reprodutiva nesse momento, o que aumenta os riscos de infecção. Por exemplo, se essa mãe mantiver algum comportamento de risco, deve ser orientada a utilizar preservativo em suas relações, pois já recebemos alguns casos em que mães não tinham o HIV até o momento do parto e adquiriram durante a amamentação, infectando assim a criança”, explica Lygia Antas, coordenadora do SAE do Helvio Auto.
Durante o ano de 2024, o Hospital Helvio Auto diagnosticou 30 gestantes com HIV, num total de 394 novos casos de HIV/Aids; já nos primeiros quatro meses deste ano, já foram registrados 6 gestantes com HIV/Aids num total de 176 novos casos.
Para enfrentar esse cenário, o Hospital Escola Dr. Helvio Auto destaca a necessidade de uma atuação integrada entre os níveis de atenção à saúde, desde o pré-natal até o acompanhamento pediátrico e o cuidado contínuo às mães. “É necessário voltar a atenção dos profissionais para o puerpério, com foco na prevenção da transmissão vertical do HIV. É preciso reforçar medidas de proteção contra o HIV neste período, especialmente em relações sexuais desprotegidas, que ainda são uma via de contaminação ignorada por muitas mulheres nesta fase”, reforça a coordenadora do SAE/HEHA.
