
Patrícia Barros
A estudante Rebeca Jacinto, do curso do 4º ano de Fonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), concluiu um estudo inédito sobre a saúde vocal de palhaços de hospital. Orientada pela Profa. Dra. Cristiane Soderini, a pesquisadora analisou o conhecimento do grupo que atua em ambientes hospitalares sobre hábitos vocais e avaliou possíveis riscos para desvantagem vocal e disfonia, condição caracterizada por alterações na emissão da voz.
O trabalho, intitulado “Desvantagem vocal e conhecimento sobre hábitos vocais em palhaços de hospital”, é resultado de um projeto de iniciação científica financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa investigou práticas, cuidados e percepções vocais de um grupo de palhaços do Projeto de Extensão Sorriso de Plantão que atua em hospitais, atividade que exige grande expressividade vocal e uso frequente da voz como ferramenta artística e comunicativa.
Os resultados revelaram um cenário positivo: a maioria dos participantes demonstrou bom conhecimento sobre saúde e higiene vocal, além de não apresentar risco significativo para disfonia nem desvantagem vocal. Segundo o estudo, hábitos adequados de cuidado com a voz contribuem para preservar a integridade do aparelho fonador, reduzindo a possibilidade de sobrecarga e lesões nas pregas vocais.
Como produto final da pesquisa, foi desenvolvida uma cartilha de cuidados vocais para palhaços de hospital, disponível gratuitamente na plataforma EduCapes ( http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/1132342 ). O material busca sensibilizar esses estudantes do Sorriso de Plantão sobre a importância da voz em sua atuação e no cotidiano, oferecendo orientações práticas para prevenção de alterações vocais. A coordenadora do Projeto de Extensão Sorriso de Plantão, Maria Rosa da Silva, contribuiu com a revisão de conteúdo da cartilha.
Produzida no âmbito do Programa de Iniciação Científica da Uncisal, a cartilha reúne informações essenciais sobre o que é Palhaçoterapia, além de explicar conceitos de voz, disfonia e sinais de alerta que podem indicar risco de adoecimento vocal. O conteúdo também orienta sobre como reconhecer mudanças na voz e reforça a necessidade de procurar orientação profissional diante de qualquer alteração persistente.
“A voz é uma das principais formas de comunicação humana, revelando não só mensagens, mas também aspectos emocionais e características pessoais. Por isso, para profissionais que dependem dela, como os palhaços de hospital, o cuidado vocal é um elemento fundamental para uma atuação segura, expressiva e saudável”, explicou a professora Cristiane Soderini.
Com a cartilha, Rebeca Jacinto e sua orientadora esperam contribuir para a formação e o bem-estar desses palhaços de hospitais, fortalecendo práticas que preservam a saúde vocal e ampliam o alcance da Palhaçoterapia em ambientes hospitalares.
“Os palhaços de hospital têm um papel fundamental no cuidado emocional dos pacientes, e entender como utilizam a voz nos ajuda a garantir que continuem exercendo esse trabalho com saúde. Desenvolver a cartilha é uma forma de retribuir esse conhecimento, oferecendo orientações que podem fazer diferença no dia a dia desses artistas.

